Silencing Colonialism: Foucault and the International

As perspectivas Pós-Coloniais estão endividadas com os escritos de Foucault de diversas formas. Inclusive, desde a publicação do maior trabalho de Edward Said, “Orientalismo”, pensadores pós coloniais utilizam a noção de Foucault sobre a relação entre poder e saber. Se baseando no Foucault, eles argumentam que a forma que “we frame” os eventos, necessariamente envolve relações de poder que servem a interesses dominantes. Embora Foucault tenha escrito extensamente sobre e, certamente, contribuído para o refinamento de nossos conceitos de poder, ele se manteve silencioso sobre a forma com que o poder operou no colonialismo. Nosso objetivo nessa contribuição é explorar a fundo as implicações políticas dessa omissão para um entendimento crítico de como a política desenvolveu na “modernidade”. Além disso, argumentamos que a intervenção do colonial na exploração genealógica da modernidade Européia complica a visão do Foucault da emergência de uma “sociedade Européia Internacional”. Com essa proposta, o texto é dividido em três partes. Na primeira, sugerimos que quando Foucault abordou a questão de uma “Sociedade internacional” em seu trabalho, ele olhou para o papel do mundo colonial em sua constituição. Em segundo lugar, argumentamos que parece que Foucault colocou a Europa como um espaço homogêneo, meramente ordenado por uma única temporalidade. Na conclusão, sugerimos que, enquanto se colocava as fronteiras europeias da sociedade internacional como certas, Foucault ignorou bifurcações cruciais que vem a ser constitutivas de um mundo dividido entre o centro – um sistema de Estados soberanos regulados pela balança de poder – e a periferia – um grupo de sociedades atrasadas articuladas como o espaço de uma civilização em desenvolvimento.

Foucault and the Modern International. 2017. p. 137-153

Marta Fernández. Paulo Esteves.

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