A Herança colonial das "novas" operações de paz da ONU

O argumento central do ensaio é o de que as “novas” operações de paz da ONU são informadas por um velho discurso logocêntrico2 evidente desde os tempos coloniais. Continua em vigor, portanto, a estratégia colonial de estabelecer fronteiras entre o “Eu” e o “Outro”, o “moderno” e o “tradicional”, a“ordem” e a “desordem”. Argumenta-se que a construção discursiva das sociedades alvo de tais operações como “atrasadas”, “falidas” ou “pré-modernas” vem criando as condições de possibilidade para as operações de paz conduzidas pelas Nações Unidas em nome da “salvação”, do “progresso” e da “modernização” de tais sociedades. Nesse sentido, a produção da descontinuidade/inovação das operações de paz em relação ao passa do colonial depende da construção da continuidade das sociedades alvo de tais operações vistas como sujeitas a conflitos ancestrais de natureza endógena, ligados a um passado pré-colonial; revelando, desse modo, uma dependência mútua entre as identidades “moderna” e “tradicional”.

2011

Marta Fernández,

http://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2011/05/13_2_moreno.pdf

Assine nossa newsletter