Na última quinta-feira, foi realizada no BRICS Policy Center a Aula Inaugural do Mestrado Profissional (MAPI) com a participação de Winnie Byanyima, Diretora Executiva da Oxfam International, e dos professores Marta Fernández, Diretora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, Andrea Ribeiro Hoffmann, Coordenadora do MAPI, e Carlos Frederico Coelho, Coordenador Adjunto do MAPI.

No evento, Byanyima além de explicar sobre o trabalho da Oxfam, buscou abordar questões sobre desigualdade, desenvolvimento global e questões de gênero. Ao destacar o fato de ser a primeira mulher do Sul global a estar no comando da instituição, Byanyima mostra um avanço e, ao mesmo tempo, uma denúncia à representação de mulheres como líderes globais, já que elas continuam sendo minoria ainda atualmente.

Pela primeira vez no Brasil, Byanyima se disse inspirada pelas lutas dos brasileiros contra as injustiças causadas pela desigualdade. Utilizou alguns dados do país para demonstrar como a desigualdade se manifesta: Segundo estudo realizado pela Oxfam Brasil, seis homens brasileiros têm a mesma riqueza que os 50% dos mais pobres e 5% de brasileiros têm a mesma renda que 99% dos brasileiros. Para Byanyima, os problemas gerados por essa situação se enraízam nas instituições da sociedade, criando um ciclo autossustentável de corrupção. Isto é, a concentração de capital em níveis extremos de desigualdade compra impunidade, eleições, a imprensa e também as leis que são criadas para perpetuar a concentração de capital nas mãos da elite, ao mesmo tempo em que prende grande parte das pessoas em uma situação de pobreza, particularmente mulheres.

Esse cenário de desigualdade não é encontrado só no Brasil. Expondo os problemas de um sistema econômico que foi desenhado para “tirar de muitos e dar para poucos”, Byanyima demonstrou que a metade mais pobre do planeta só recebeu 1% da riqueza mundial adquirida no último século. Além disso, reforçou a relação entre desigualdade econômica e desigualdade de gênero ao mostrar que as mais prejudicadas e exploradas por esse sistema econômico são, de fato, mulheres, como as de Mianmar, que chegam a trabalhar 23 horas por dia para grandes empresas do varejo global por um salário de U$4.

Ao abordar os meios com os quais os governos buscam acabar com a extrema pobreza no mundo (que atualmente se traduz em viver com menos de U$1 por dia), como por exemplo, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, Byanyima reforça a importância de alcançarmos tais metas, mas questiona o fato de traçar a linha em U$1,90 por dia. Segundo ela, o ideal, necessário e urgente, seriam salários que garantissem às pessoas uma vida digna e que dêem a elas a capacidade de questionar as disparidades e sistemas injustos que não as permitem obter igualdade de direitos.

Para Byanyima, esse cenário demonstra um dos grandes desafios do desenvolvimento global. Se governos e instituições financeiras internacionais buscassem reduzir a desigualdade, mais de 7.5 milhões de pessoas no mundo já teriam saído da linha miséria. Como solução, ela propõe que a academia e os jovens busquem soluções para a implementação de um sistema econômico humanizado. Nesse sistema, três regras básicas vigorariam: a luta contra a desigualdade de gênero; empresas mais igualitárias, no qual a relação entre acionistas e empregados seja de mútuo benefício; e governos que tomem decisões políticas que mitiguem as desigualdades sociais.

Winnie Byanyima é uma líder dos direitos das mulheres, governança democrática e peacebuilding. Nascida na Uganda, trabalhou por onze anos no Parlamento da Uganda, na Comissão da União Africana e foi Diretora de Gênero e Desenvolvimento no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A Sra. Byanyima foi cofundadora do Global Gender and Climate Alliance e presidiu uma força tarefa da ONU sobre aspectos de gênero dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio e sobre mudança climática.
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