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26/09/2019

Aula Inaugural da Graduação com Celso Amorim

O Instituto de Relações Internacionais recebeu o ex-chanceler Celso Amorim para sua Aula Inaugural da graduação que, inspirada no seu livro de 2015, intitulou-se “Memórias da Política Externa Ativa e Altiva”. Durante a fala, Amorim relatou de maneira leve e descontraída, suas vivências como Ministro da Relações Exteriores em um contexto nacional e internacional extremamente distinto do vivido hoje. Segundo ele, a expressão “política externa ativa e altiva” surgiu no momento de sua nomeação como ministro quando, não querendo se exceder no tempo de discurso, usou as palavras para descrever um projeto de postura internacional na qual o Brasil não temeria ser protagonista, muito menos aceitaria propostas que não o interessasse somente por virem de países vistos como mais poderosos. Amorim descreveu um momento da política brasileira em que o Brasil deixou de ser “tímido” e procurou tomar iniciativas com persistência, além de resistir às proposições desfavoráveis ao interesse nacional. Nesse sentido, o chanceler argumentou que “altiva” é a política externa que assume uma agenda própria enquanto “ativa” é aquela que age com vontade, sem receios.



Procurando exemplificar atitudes que, seguem essa lógica independente e proativa, citou a resistência brasileira à criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), que favoreceria desproporcionalmente a economia americana; a oposição à intervenção estadunidense no Iraque; a criação do IBAS e, mais tarde, dos BRICS; a defesa vigorosa de uma ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, barganhando um assento permanente para o Brasil no órgão; e a contestação do fornecimento de subsídios para a produção e exportação de produtos agrícolas americanos e europeus. Todas, para o diplomata, políticas em que o Brasil mostrou estar “jogando na sua liga”.

Tratando da conjuntura atual, ele afirmou que vê com apreensão a posição do governo de Jair Bolsonaro de “colocar todos os ovos na mesma cesta”, referindo-se à uma aproximação excessiva do presidente à família Trump, que pode complicar as relações bilaterais entre os Estados com uma possível vitória democrata em 2020. 

De acordo com Amorim, quando decidiu nomear o livro de onde se originou o título da Aula Inaugural, o termo “memórias” foi empregado como sinônimo de “recordações” ,mas, hoje, a palavra ganhou novas dimensões - proatividade e altivez são valores de uma política externa que ficou para trás.

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