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27/03/2017

Aula Inaugural sobre Política Migratória dos EUA e Ascensão Mundial da Xenofobia

No último dia 21 de março, foi realizada a Aula Inaugural de 2017.1 do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. Este semestre, o IRI recebeu Deisy Ventura, professora de Direito Internacional e Livre-Docente do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP). Ela trouxe o tema "La Trampa: a política migratória dos Estados Unidos e a ascensão mundial da xenofobia". A mesa também contou com mediação da professora Paula Sandrin (IRI/PUC-Rio)

Título da aula, o conceito “La Trampa”, vem do espanhol e significa armadilha, tentativa de enganar alguém. Partindo dessas definições, a professora buscou problematizar a construção dos discursos e imagens dos estrangeiros, imigrantes e refugiados que, segundo ela, permitiriam e legitimariam uma série de medidas políticas para contenção e exclusão dessas pessoas estigmatizadas. Na apresentação, a professora buscou expor os aspectos das duas ordens executivas de Donald Trump quanto a questão migratória nos Estados Unidos, comparando com as políticas  dos governos anteriores de Bush e de Obama, uma vez que as ações adotadas pelo recente governo Trump tiveram repercussão mundial.

Durante o evento, Deisy falou sobre a ideia de “fabricação do estrangeiro”. Para ela, a impressão que temos sobre eles é “uma síntese grosseira de informações incompletas”. Os estrangeiros (estendendo-se assim para imigrantes, refugiados, ou todos aqueles não-nacionais) frequentemente são vistos como suspeitos, como uma ameaça – aos postos de trabalho, à cultura – e são muitas vezes julgados e tratados pelo o que ainda não fizeram, mas supostamente fariam. 

Sobre os refugiados, a professora disse que 86% deles estão nos países do mundo em desenvolvimento e a maioria vive em condições nas quais não sobreviríamos uma semana. Image and video hosting by TinyPic

Segundo ela, Turquia, Paquistão, Líbano, Irã e Etiópia são os que de fato passam por uma crise humanitária, diferente de países europeus e os Estados Unidos, já que apenas uma pequena parte dos refugiados tentam chegar nesses lugares – algo não abordado com a devida profundidade pela mídia.

Ao final da aula, Deisy conversou com o IRI sobre o atual estágio da política migratória brasileira. “Há no Brasil uma disputa em matéria de política migratória entre três grandes vertentes”, diz. A predominante é a primária, que pensa ser preciso reforçar os controles de fronteiras e vê o estrangeiro como uma ameaça em potencial. A segunda vertente é ligada ao trabalho, ao temor de que o migrante tire o emprego de alguém. Nesse sentido, eles seriam bem-vindos apenas na medida em que o mercado precise deles. Já a última vertente, mais alinhada ao posicionamento de Deisy, busca respeitar e defender o direito das pessoas.

Para a professora, mesmo tendo um número significativo de brasileiros no exterior, existe um dificuldade enorme para a população brasileira de ver os fluxos migratórios com simpatia e de se colocar no lugar dessas pessoas, tratando-as da maneira como gostaríamos de ser tratados quando migramos.  Para ela, a mobilidade humana é um tema que precisa ser mais estudado e trabalhado, já que a “trampa” é muito mais profunda.

Confira a entrevista concedida pela professora. 

  

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