O artigo analisa a intervenção militar e política dos Estados Unidos contra a Venezuela no início de 2026, a partir do que vem sendo chamado de Doutrina Donroe, argumentando que tal ação representa um marco definidor no declínio do que ainda restava da ordem liberal internacional.
A ofensiva estadunidense, que incluiu a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças militares americanas em Caracas e medidas subsequentes para assumir o controle do país, sinaliza, segundo a análise, uma ruptura normativa profunda: os princípios de soberania estatal, não-intervenção e legalidade multilateral foram suplantados por uma lógica de poder despido de limites jurídicos confiáveis.
A operação foi formalmente justificada por Washington como combate ao “narcoterrorismo” e à aplicação da lei em caso criminal, embora críticos internacionais e especialistas em direito internacional considerem a ação uma violação clara da proibição do uso da força prevista na Carta das Nações Unidas, sem autorização do Conselho de Segurança ou de uma ameaça armada iminente que justificasse legítima defesa.
A intervenção norte-americana provocou condenações de diversos países e organismos internacionais, inclusive da ONU, que alertou para o perigo de um precedente no qual Estados poderosos atuam unilateralmente contra outros Estados, enfraquecendo a arquitetura jurídica global que sustentou o liberalismo após 1945.
Para o autor, isso evidencia que o liberalismo ocidental já não funciona como paradigma hegemônico, pois suas normas centrais foram corroídas na prática por interesses geopolíticos e estratégicos hegemônicos, deixando exposto um realismo transacional que substitui a ordem normativa por poder bruto e por unilateralismo.