É com enorme prazer que informamos a mais nova parceria do Instituto de Relações Internacionais (IRI/PUC-Rio) e do seu think tank BRICS Policy Center com o Institut Barcelona d’Estudis Internacionals (IBEI) de Barcelona, Espanha, um dos melhores institutos de/sobre estudos internacionais da Europa, ao promover a formação de pós-graduação com experiência prática e pesquisa em política e relações internacionais, a fim de avançar a compreensão dos desafios globais à governança em nosso mundo.
O acordo entre as duas instituições, que ocorre com o intuito de promover a cooperação para o enriquecimento acadêmico das instituições e de seus estudantes e pesquisadores, permitirá o intercâmbio entre alunos de pós-graduação de Relações Internacionais de ambos os institutos.
A professora Maíra Siman e os professores Conor Foley e Ricardo Oliveira representaram o IRI no Seminário “Implementing the Report of the High Level Panel on UN Peace Operations: Remarks from Brazil” (Brasília, 8-9 de novembro).
Organizado pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), pelo Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI/USP), e pelo Instituto Igarapé, o seminário abordou diversas recomendações do relatório produzido pelo Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz da ONU (HIPPO), em especial aquelas referentes à execução de missões mais adaptadas para cada situação de conflito; a estratégias para aprimorar o desempenho militar nas operações de paz de ONU; à proteção de civis e, finalmente, à implementação efetiva da agenda de Mulheres, Paz e Segurança.
O evento também foi uma oportunidade para anunciar a criação da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Operações de Paz (REBRAPAZ), da qual o IRI/PUC-Rio faz parte, ao lado de outras importantes instituições acadêmicas, militares e da sociedade civil brasileiras. A REBRAPAZ visa, entre outros objetivos, produzir e difundir conhecimento atual, relevante e crítico no Brasil sobreoperações de manutenção da paz, missões políticas especiais e outras missões coordenadas por organismos internacionais.
O IRI/PUC-Rio realizou o debate Turquia em Crise: o golpe frustrado, suas conseqüências e repercussões no dia 22 de setembro com a participação de Márcio Scalercio (IRI/PUC-Rio), Monique Sochaczewski (ECEME) e Paula Sandrin (IRI/PUC-Rio). O debate buscou oferecer um panorama sobre a situação política na Turquia após a tentativa de golpe militar em julho deste ano, deixando mais de 200 mortos, 1000 feridos e 2.800 soldados presos. Também foi debatido a influência da tentativa de golpe na crise na Síria. Você pode assistir o VÍDEO DO DEBATE NA ÍNTEGRA NO CANAL DO IRI NO YOUTUBE.
A convidada Monique Sochaczewski deu uma breve introdução à história da Turquia e à identidade nacional deste país, que ela argumenta ser baseada numa imagem de ponte entre a Europa e a Ásia, entre o Islã e o Cristianismo, entre o Mar Negro e o Mediterrâneo. Ela buscou explicar os caminhos do golpe e as hipóteses para entender o que houve, mas deixando claro que não há provas cabais de nenhuma delas. A professora delineou as relações entre o Hizmet, um grupo acusado de ser responsável pelo golpe, e o governo turco do partido AKP, que eram mais próximas mas que nos últimos anos tem se deteriorado. Também falou sobre a batalha de narrativas, em que pelo menos 3 versões sobre a autoria do golpe vêm ganhando força: a de que os responsáveis eram os kemalistas; a de que os responsáveis eram os membros do Hizmet; e também a de que o golpe foi uma armação do governo para ganhar mais apoio popular.
Seguindo o debate, o professor Márcio Scalercio falou sobre como o desenrolar militar dos eventos na Síria são influenciados pelo golpe na Turquia, uma vez que a Turquia já posicionou-se contra o governo de Bashar Al-Asad e contra os curdos sírios. Somando-se a esses inimigos de longa data, há o Estado Islâmico, que é o pretexto para a intervenção turca no território sírio, segundo o professor, e o grupo que supostamente representa a Al-Qaeda na Síria, que é contra quem se direciona a ofensiva Escudo do Eufrates, que visa defender uma zona de 90km ao longo da fronteira sul da Turquia. Scalercio também lembrou que a ajuda aos civis ainda presentes em Aleppo é outro dos pretextos para a intervenção que usa de tropas terrestres. O professor ainda afirmou que um objetivo não declarado da operação é desestabilizar os curdos na Síria. Após isso, o professor passou a explicar as condições militares da situação da complicada e intrincada guerra civil síria, e o que a intervenção turca implica nela.
A professora Paula Sandrin falou sobre as reações do governo turco ao golpe, as reações da União Europeia a sobre as novas dinâmicas de relação entre o governo turco e a U.E.. Ela lembrou que houve, após o golpe, diversos expurgos em várias instituições militares turcas, como a polícia, exército, marinha, guarda costeira, entre outros. Além disso, a Turquia é acusada na Europa de articular uma repressão e perseguição aos seguidores de Fetuhllah Gulen, clérigo líder do Hizmet, mesmo fora de suas fronteiras, requisitando a extradição de acusados de serem seguidores de Gulen. Segundo a professora Sandrin, os líderes turcos acusaram a Europa de demorar muito a condenar o golpe em si, e quando o fizeram, teriam condenado a reação do governo turco ao golpe. As maiores preocupações da União Europeia foram a deterioração da condição democrática no país e como isso se refletiria na manutenção dos acordos que se referiam aos refugiados (que previam que a Turquia acolheria uma parte dos refugiados em troca de dinheiro) que chegam, em grande número, à Europa.
O professor Pierre Vercauteren (Universidade Católica de Louvain) veio à PUC-Rio no dia 8 de setembro de 2016 para a palestra “Immigration: what challenges for the E.U.?” sobre a chamada crise dos refugiados, que, como bem apontou o professor Bruno Magalhães (IRI/PUC-Rio), mediador do evento, continua sendo um problema embora a atenção da mídia tenha sido deslocada dela, pelo menos no Brasil.
ENTREVISTA
Aproveitando a visita do professor Pierre Vercauteren, fizemos uma pequena entrevista logo após o término de sua palestra. Nela o professor fala sobre como a atual crise dos refugiados é abordada pela União Européia, sobre os recentes pedidos pela formação de um exército da União e sobre as limitações que um Estado-nação enfrenta quando tem de lidar com a questão dos refugiados.
O palestrante iniciou seu discurso relembrando que a população europeia está em declínio, devido a uma menor taxa de natalidade que é marca característica de economias avançadas, e de acordo com a Organização das Nações Unidas, o continente europeu precisa da imigração para reverter o cenário demográfico decrescente e atingir um nível que possa sustentar o crescimento econômico no futuro. O segundo ponto que ele fez em sua introdução é que a U.E. é, por natureza, totalmente diferente do Brasil, que é um país com uma população e cultura miscigenadas. Na U.E., o que há é uma adição de Estados com populações mais ou menos estritamente definidas, e que compartilham uma história que foi por séculos conturbada, o que torna o multiculturalismo problemático para a U.E., tanto vindo de dentro quanto de fora.
O prof. Vercauteren optou por estruturar sua apresentação em duas partes: primeiro, o palestrante esclareceu características da situação da migração entre os países internos do bloco e também para dentro da U.E.; segundo, comentou alguns aspectos da política de imigração dentro da E.U.
É importante notar que a migração para dentro da Europa tem tornado historicamente a forma de invasões militares ou derivadas de outras invasões, com poucas exceções. Aqui ele cita os movimentos das populações dentro do Império Romano, também a diáspora dos judeus para dentro da Europa tendo origem em guerras na terra natal desta população, a migração do islã na Península Ibérica e nas expansões turcas no leste europeu e também os otomanos estabelecendo um império no sudoeste da Europa. Também houve, segundo o palestrante, uma substancia movimentação de muçulmanos para dentro da Europa desde o início da era moderna, vindo principalmente da Anatólia e do Magreb. Havia também movimentos populacionais dentro da Europa no contexto das guerras religiosas e conflitos entre Católicos e Protestantes. Também houve movimentações como consequência da Segunda Grande Guerra no século XX. Após esse momento, países que foram majoritariamente fontes de emigração na Europa, como Portugal, França, Irlanda e Reino Unido se tornaram países receptores de imigrantes, quando seus padrões de vida se elevaram, invertendo o sentido dos movimentos populacionais.
O professor Vercauteren segue apontando que Acordo de Schengen, que estabeleceu que pode-se viajar livremente dentro da Europa, foi um marco, uma vez que todos os processos de integração na Europa desde os anos 1950 lidavam com as fronteiras bem delimitadas entre os Estados, mas após o Acordo já não era mais preciso pedir permissão para viajar entre os países-membros da U.E. Cidadãos e famílias da U.E. têm o direito de viver e trabalhar onde quer que estejam dentro da U.E. por causa do Acordo de Schengen. Os cidadãos de outros países de fora da U.E. só podem usufruir dos mesmos direitos se tiverem uma permissão especial de residência da U.E. ou se tiverem familiares europeus. Mesmo assim, aqueles que possuem a permissão de residência nos Estados do Acordo de Schengen têm os mesmos direitos de viajar e morar nos países do Acordo que os cidadãos desses países.
Outro problema apontado pelo professor é que os países do Leste Europeu se tornaram fontes de imigrantes, ainda nos anos 1990. Então, muitos poloneses passaram a viver no Reino Unido e muito romenos e búlgaros passaram a viver na Espanha e na Itália, por vários e diferentes motivos. Desde então, alguns desses movimentos têm se invertido, com muitos poloneses voltando a seu país de origem com o avanço da situação econômica nele e crises no Reino Unido. Outra tendência apontada pelo professor Pierre Vercauteren são as populações do norte da Europa movimentando-se rumo ao sul do continente, e ele então cita o caso dos ingleses vivendo na Espanha.
Passando então à análise da migração de fora da U.E. desde os anos 1980, o palestrante aponta que alguns apontam para a inversão dos movimentos populacionais (passando dos que saem da Europa para os que entram na Europa) ocorreram devido ao aumento da desigualdade entre nações ricas e pobres do mundo. O professor argumenta que assim, então, os países europeus estão ficando cada vez mais multiculturais, e para isso apresenta alguns dados oriundos de diversos estudos de caso. Olhando para a França, o palestrante destaca os laços históricos com as ex-colônias, ainda importantes, uma vez que a maioria dos imigrantes neste país vêm da região do Magreb, região essa que foi colonizada pela França, além de encontrar dados semelhantes em outros países europeus e suas ex-colônias. Outra tendência é a de populações de países centro-europeus, como da Lituânia, Romênia e Azerbaijão, moverem-se para países ocidentais.
Após isso, o professor entra na segunda parte de sua apresentação: a política comum de imigração. Para o início do debate, o palestrante propôs duas questões: porque deveria haver uma política comum de imigração uma vez que este é um assunto de soberania, portanto, a ser tratado diretamente pelos Estados? Essa resposta demanda que voltemos aos motivos iniciais da integração europeia, que o professor apresenta como sendo um conjunto de três pilares: criar e fortalecer a paz; garantir o desenvolvimento econômico depois da Segunda Grande Guerra e, por último; dar mais voz aos europeus no mundo, num contexto em que o continente se torna menos central, já que as duas superpotências da Guerra Fria roubaram os holofotes no cenário global. E a segunda questão: como pode essa integração ser atingida? Ele responde a essa pergunta através da via econômica, em primeiro lugar, com um mercado comum. O surgimento da ideia do mercado comum é datada de 1957, onde ele foi proposto como um espaço em que os produtos pudessem ser negociados e transportados livremente, sem taxas adicionais de alfândega entre os países que o compunham. O professor aponta para o fato de que, para que haja livre movimentação de mercadorias entre os países, também é necessário que haja livre movimentação dos profissionais que fazem esse transporte entre os países. A ideia foi gradualmente expandida para o livre trânsito dos trabalhadores, e daí a ideia de livre trânsito de pessoas em geral emergiu. Vercauteren explica que isso é como um efeito em cadeia: começando com livre trânsito de mercadorias, então livre trânsito de motoristas de caminhão, e assim adiante até o livre trânsito de pessoas em geral. Então, a política de migração dentro da U.E. é regida pelo princípio de livre movimentação dentro dos 26 Estados da Área Schengen.
O professor explica o que é, de fato, a Área Schengen. Ela é constituída de 22 membros da U.E. junto à Islândia, Noruega, Lichtenstein e Suíça. Assim, alguns membros da U.E. ficaram de fora da Área, e dois deles decidiram por não estarem dentro: o Reino Unido e a Irlanda, por causa da sua localidade geográfica específica. De acordo com autoridades da U.E. outros países membros não cumprem os critérios para a entrada na Área Schengen. Os membros da Área permitem que os cidadãos se movimentem livremente, mas mantém a possibilidade de suspender esse direito e implementar controles de fronteira caso entendam que a segurança ou ordem públicas estejam sob ameaça, e assim alguns países o fizeram como resposta aos ataques terroristas na Europa em 2015.
Prof. Vercauteren então lembra que o item 7 do Acordo de Lisboa prevê que a U.E. deverá manter uma política de relações exteriores comum e baseada na solidariedade entre os membros da organização, e portanto a política comum de imigração visa harmonizar a entrada e permanência de cidadãos de outros países na União, além de lembrar também do artigo 77 que prevê a criação de uma rede de monitoramento e gerenciamento das fronteiras externas. Assim, ele prevê uma política comum de asilo, a presença de uma “polícia europeia” nas fronteiras e a criação de um sistema judiciário para lidar com o problema da imigração. Aqui, o professor chama a atenção para 3 aspectos fundamentais: controle de fronteiras, política de asilo e o problema da imigração em si.
Assim, o professor alega que os Estados-nacionais não podem lidar com os problemas das recentes ondas de imigração sozinhos e delegam essas responsabilidades, à organização principalmente através do Tratado de Lisboa e do Acordo de Schengen. A U.E. responde através da implementação de um sistema único de vistos, controle comum das pessoas cruzando as fronteiras, a definição das condições sob as quais os cidadãos de outros Estados podem se locomover dentro da U.E. e a integração do gerenciamento das fronteiras externas. Além disso, o Acordo de Lisboa também aumenta as responsabilidades do Tribunal de Justiça Europeia, por exemplo quando um país deseja restabelecer o controle temporário de suas fronteiras, a Corte Europeia de Justiça pode estipular se isso é legal ou não, e também de interpretar questões relacionadas à livre movimentação de pessoas.
Dessa forma, o palestrante pôde afirmar que, enquanto continuar sendo função do Estado-nação fazer a fiscalização e controle das fronteiras, a U.E. teria mais poder de lidar com problemas como terrorismo, imigração ilegal e tráfico de pessoas, e enumera as medidas que foram tomadas para tal fim: o visto comum, a base de dados Schengen (sistema de compartilhamento de informações acerca de pessoas suspeitas de cometer atos terroristas), o novo sistema de adição de digitais ao sistema de vistos, e, mais tarde, foi criado também um sistema chamado Frontex, que é um órgão composto de oficiais da polícia que patrulham as fronteiras externas da U.E., impedindo a entrada de imigrantes ilegais. Além disso, o prof. Vercauteren lembrou que a Frontex está sendo fortalecida, e que há o desenvolvimento de procedimentos comuns para a política de asilos e, por último, a cooperação com outros Estados para impedir a chegada de mais imigrantes às fronteiras europeias.
Os tratados, segundo o palestrante, fornecem a base legal para que isso tudo seja feito. A ideia, de acordo com o professor, é dar um tratamento justo a cidadãos de outros países não membros e trabalhar em conjunto com esses países para prevenir o tráfico de pessoas, de forma a aumentar a luta contra isto. Ainda de acordo com ele, um grande problema que se põe no caminho de um maior fortalecimento é o fato de que a imigração ainda é um problema que diz respeito à soberania estatal, e não há nenhum Estado-nação no mundo que seja capaz de, sozinho, evitar que haja imigração ilegal.
De acordo com o palestrante, a crise dos refugiados atual está questionando a construção das instituições europeias em diversos níveis. Primeiro, o objetivo da paz está revelando o problema de viver em conjunto; além disso, a própria noção de cidadania europeia está sendo posta em jogo, já que ela pode levar ao fechamento das fronteiras ou a uma sociedade mais aberta. A crise também revelou o desafio de viver em conjunto dentro de cada Estado-membro da União uma vez que cada um desses Estados é mais multicultural do que antes, o que traz fortes reações vindas de setores mais conservadores a esse multiculturalismo. Concluindo a palestra, o professor lembra também que toda crise traz em si uma oportunidade para o avanço, com a possibilidade de uma solução em comum e integrada, o que fortalece ainda mais a União ao tempo que enfraquece os setores conservadores das sociedades e países da União.
(Assista o vídeo na íntegra ou ouça o áudio completo)
O Secretário Geral iniciou o discurso falando sobre o nascimento da UNASUL no início do século XXI. Segundo ele, a instituição nasceu com 3 propósitos: superar o modelo neoliberal, que obrigou a região a retroceder na luta contra a pobreza que tanto assola a região; assegurar a continuidade da democracia na região, como resposta à história regional de governos militares e autocráticos, e a perda de direitos que eles significaram; criar um conceito de integração regional que fosse além de um fórum de governos e pudesse de certa maneira refletir o conceito de nação, sendo uma sociedade que compartilha de certos valores, história e idiomas que são próximos. Em relação ao último ponto abordado, Samper compara o processo de integração sul-americana com o europeu, que nunca chegou a ser uma nação, enquanto que aqui se tem uma nação em vias de integração.
Esses elementos, segundo o Secretário Geral, são essenciais para entender as lutas da UNASUL: a preservação do projeto democrático, o conceito de direitos humanos para defender o tema da inclusão, e o conceito de paz. A UNASUL, segundo Samper, defende o conceito de paz hemisférica, tendo declarado a região uma zona de paz no mundo. Ele então chama a atenção para o fato de que o mundo tem hoje mais conflitos que no passado recente, enquanto a América do Sul se mantém pacífica. Para ele, essa discrepância é resultado de alguns fatos: a não existência de conflitos étnicos, segundo ele, devido ao modelo de conquista utilizado na colonização da região, que levou as etnias a amalgamarem-se e tornarem-se apenas uma raça comum sul-americana (reconhecendo todos os problemas que isso implicou); a ausência de guerras religiosas, em razão do sincretismo religioso promovido pelos jesuítas na época de colonização, que “unificaram” os valores religiosos da região; e por último, ele afirma que na região os movimentos sociais tiveram força o suficiente para se fazerem ouvidos e consequentemente aliviar a pressão da luta de classes.
O Secretário Geral então afirmou que a UNASUL busca preservar esses valores atuando, por vezes, como um cirurgião onde há ameaças de golpes militares ou pacíficos, com o fim de evitar a ruptura democrática. Ele complementa afirmando que a organização também trabalha no sentido de evitar conflitos interestatais através do Conselho de Defesa Sul-americano, que é um órgão dedicado a construir hipóteses de confiança, como por exemplo, a soma de esforços para combater inimigos comuns como o narcotráfico e o terrorismo.
Samper afirmou também que é necessário evitar o conflito, e isso se faz investindo em igualdade social. Um dos grandes desafios identificados por ele para a região sul-americana é evitar que os cidadãos que saíram da pobreza retornem à sua condição por conta da crise econômica e planos de ajuste fiscal mal elaborados. Essa volta à pobreza cria, segundo o Secretário Geral, uma instabilidade social preocupante.
O palestrante ressaltou a importância do processo de paz do conflito na Colômbia, que já dura 50 anos e teve altos custos, para toda a região sul-americana. Ele afirma que esse processo é diferente dos anteriores, pois a guerrilha colombiana e o governo se deram conta de que estão em um impasse, sem possibilidade de ganhar ou perder militarmente o conflito. Além disso, segundo Samper, houve uma agenda concreta acordada antes da negociação formal e pública, tendo produzidos 5 (cinco) pontos que deveriam ser discutidos nas negociações formais. (1)a questão da concentração fundiária; (2) o dos cultivos ilícitos; (3) a participação política, com mais garantias à oposição; (4) vítimas devem saber a verdade do que houve com elas ou seus familiares, para que a verdade ajude a reparar os danos causados pelos anos de conflito; (5) o tema da desmobilização, a forma como os guerrilheiros se reintegrarão à sociedade, de maneira que possa reconciliar as partes do conflito. De acordo com ele, igualmente importante ao fim do conflito armado é o pós-conflito. Com isto, é necessário que a sociedade aprenda a acertar suas diferenças com base na razão e não nas armas. Para tanto, Samper afirma que é necessário reconstruir três tecidos: o social, com o tema das vítimas; o tecido econômico, o que a guerra custou em dinheiro e vidas; e o tecido institucional, que é rompido pela ausência do Estado, ou presença somente militar dele, onde as FARC mantinham controle. Samper também ressalta a importância da paz na Colômbia para a região como um todo, citando como o conflito teve efeitos no Brasil, Venezuela e outros. Por isso, esses países também teriam direito de aproveitar da paz.
O ex-presidente colombiano ressaltou as lições do conflito e processo de paz em seu país para o curso de formação de mediadores: primeiro, a demora demasiada para entender que a solução para o conflito era política; segundo, entender que a democracia tem um poder curativo e pode contribuir mais para a solução do conflito que armar ainda mais esse conflito; terceiro, Samper admite que os colombianos também demoraram a entender que enquanto um conflito termina, é necessário fazer esforços para a humanização do conflito. Samper diz que essas lições levaram-no a entender a importância de um arranjo político regular, e que sempre há uma saída política pacífica para um conflito.
O palestrante também falou da situação da Venezuela, na qual ele a polarização entre os setores da sociedade o mais grave problema. Segundo Samper, a UNASUL foi chamada para realizar o monitoramento das na Venezuela pois havia a suspeita de que elas seriam fraudadas e que isso geraria violência. A missão foi enviada e a oposição ganhou a maioria nas eleições parlamentares do país, movendo a disputa política das ruas para o parlamento e cenário político. A disputa, segundo ele, continua, mas a UNASUL insiste em que as partes se ponham de acordo para que desarmem os espíritos e palavras para encontrar uma saída comum para a situação. Segundo o ex-presidente, o mais importante em mediação é encontrar as regras para as partes, que surgem sempre do diálogo. As partes devem, portanto, entender uma a outra como importantes e legítimas, para que assim um diálogo se construa. O diálogo, ele define, “é um processo dinâmico de interlocução em que se há que ceder para receber”.
Samper então criticou o processo de paz de Havana ao afirmar que a sociedade civil não se sentiria suficientemente representada nele. O problema, segundo dele, é que os colombianos querem receber a paz, porém não querem ceder nada às FARC. Para fazer entender aos colombianos que a paz não virá sem que o governo ceda, é necessário um processo de conscientização da população, segundo ele. Samper afirmou ainda que é necessário mover-se de posições dogmáticas com o fim de encontrar um equilíbrio entre os interesses das partes em conflito.
Concluindo seu discurso, o Secretário Geral afirmou que a má fase da economia influenciou na política da região, traduzindo-se em grandes desafios. No entanto, ele completa que é importante que os valores da democracia, paz e dos direitos humanos sejam mantidos.
Além do ex-presidente da Colômbia, participaram da abertura da Escola de Inverno do GSUM a Embaixadora da Noruega no Brasil, sra. Aud Marit Wiig, e também o Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira.
Organizada pela Unidade do Sul Global para Mediação (GSUM), a Escola de Inverno é um programa acadêmico e de treinamento intensivo sobre mediação internacional com duração de duas semanas, que ocorre na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. A Escola oferece, no máximo, 24 vagas por semana para estudantes que buscam ter uma experiência intensiva e substantiva de aprendizado e treinamento na teoria e na prática da mediação internacional, com foco particular em questões relativas ao Sul Global.
O debate “Relatos do Oriente Médio: confrontando estereótipos e impressões de duas viajantes no Egito e na Palestina”, foi realizado no dia 17 de maio de 2016 com as alunas da graduação Rachel Pires e Thaís Queiroz, e os professores do IRI Raslan Ibrahim e Márcio Scalercio (moderador). Em suas falas, as estudantes compartilharam experiências de suas viagens ao Egito e à Palestina, de modo a superar os estereótipos e visões que o senso comum reproduz sobre o Oriente Médio.
A partir dos relatos de suas experiências cotidianas no Egito, Rachel Pires apontou para a importância de não tentarmos buscar uma verdade no que diz respeito à identidade dos egípcios. Ao fazer isso, sacrificam-se as singularidades e complexidades esilenciam-se narrativas fundamentais na construção da cultura de um país. É preciso, portanto, compreender sua identidade como algo fluido e dinâmico, não estático.
Thaís Queiroz compartilhou com o público um pouco de sua viagem à Palestina e também destacou a questão dos estereótipos que são imediatamente reproduzidos quando tratamos da região. A estudante trouxe, em sua apresentação, elementos marcantes da cultura palestina que são frequentemente deixados de lado, já que a identidade da Palestina é sempre vinculada ao conflito com Israel em detrimento de outros aspectos da vida naquela região.
Após a apresentação das duas alunas, o Professor Raslan Ibrahim, que ministra a disciplina optativa de Oriente Médio, teceu comentários sobre questões políticas do Egito e da Palestina e o foi aberto para perguntas do público.
Clique aqui para assistir ao vídeo do painel e aqui para acessar o áudio.
O Instituto de Relações Internacionais realizou, no dia 12 de maio de 2016, a palestra “O Papel da Justiça Comunitária na Democratização do Acesso à Justiça”, com a Dra. Glaucia Foley, Fundadora e Coordenadora do Programa Justiça Comunitária do Distrito Federal.
Em sua apresentação, a Dra. Glaucia Foley tomou como ponto de partida a premissa de que o acesso à justiça não se limita ao acesso ao Poder Judiciário para analisar o papel de protagonismo que assume a Justiça Comunitária na construção de uma sociedade democrática, de direitos e menos desigual. Em seguida, ela apresentou o Programa Justiça Comunitária do Distrito Federal, que capacita agentes comunitários para atuarem nas atividades de mediação comunitária, educação para os direitos, e articulação de redes sociais na Ceilândia, destacando os principais avanços e desafios da iniciativa.
O evento foi realizado no Auditório do IRI e contou com a participação de alunos e professores do IRI. Clique aqui para assistir ao vídeo e aqui para acessar o áudio da palestra.
O Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio (IRI/PUC-Rio) realizou, no dia 18 de abril de 2016, o Debate de Conjuntura “Projetos para um eleitorado enfurecido: A corrida presidencial nos Estados Unidos em 2016”, com os professores Marcio Scalercio e Paulo Wrobel, ambos do IRI. O evento analisou os principais fatores do atual cenário eleitoral norte-americano, marcado por forte polarização, e os pontos de divergência entre os candidatos republicanos e democratas.
Em sua fala, o Professor Marcio Scalercio focou em explicar o processo eleitoral dos Estados Unidos, detalhando aspectos como as formas de financiamento permitidas, a maneira como os votos são contados e as previas eleitorais, onde são escolhidos os candidatos de cada partido. A partir de uma abordagem histórica, ele descreveu as transformações pelas quais o pleito passou ate chegar ao atual sistema de colégios eleitorais. O Professor Scalercio ainda destacou a tendência de estados de maior população rural a apoiarem os candidatos republicanos, enquanto os estados com cidades mais populosas e inclinações liberais costumam apoiar os democratas, além da importância dos chamados “swing states”, que são aqueles que não têm tradição de repetidamente apoiarem o mesmo partido e, por isso, são considerados extremamente importantes para definirem o rumo das eleições.
Já o Professor Paulo Wrobel atentou para aspectos mais específicos do cenário atual das eleições. Para ele, em função dos grandes avanços sociais, econômicos e de politica externa alcançados pelo atual presidente Barrack Obama, a tendência seria pela continuidade de uma gestão liderada pelo Partido Democrata, seja qual for o candidato escolhido para concorrer a presidência nas eleições do dia 8 de novembro. Por outro lado, o Professor Wrobel apontou para um detalhe histórico: ao longo de todo o século XX, nunca um presidente democrata conseguiu eleger seu candidato. Nas únicas vezes em que houve uma sequência de dois governantes consecutivos do Partido Democrata, ela ocorreu em função das mortes de Franklin D. Roosevelt e de John. F. Kennedy, que deram lugar aos seus vices que, logicamente, eram do mesmo partido.
Apos a fala dos professores, o publico teve a oportunidade de fazer perguntas e o debate prosseguiu. O evento foi realizado no auditório Padre Anchieta e contou com grande presença de alunos e professores do IRI e de outras instituições.
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