Reorganizando a violência: a ‘história de sucesso’ colombiana e os limites do discurso do pós-conflito

A professora do IRI/PUC-Rio, Manuela Trindade Viana, acaba de publicar o artigo “Reorganizando a violência: a ‘história de sucesso’ colombiana e os limites do discurso do pós-conflito“. O trabalho compõe a edição especial da Revista CIDOB d’Afers Internacionals, intitulada “A construção da paz: Colômbia como espelho internacional“. No artigo, Manuela propõe pensarmos o pós-conflito não em termos de uma lógica pautada na presença-ausência de violência, mas em função da transformação das regras de uso da violência. Para tal, analisa os programas de profissionalização do Exército da Colômbia a fim de identificar, no contexto do pós-conflito, as transformações e as reminiscências históricas na produção do “profissional militar”.

“Reorganizando la violencia: la ‘historia de éxito’ colombiana y los límites del discurso del posconflicto”, artigo publicado na CIDOB d’Afers Internacionals em 24 de maio de 2019.

Ruling through the International Criminal Court’s rules: legalized hegemony, sovereign (in)equality, and the Al Bashir Case

Os professores Roberto Yamato (IRI/PUC-Rio), Claudia Alvarenga Marconi (PUC-SP) e a doutoranda Luisa Giannini (IRI/PUC-Rio) publicaram o artigo “Ruling through the International Criminal Court’s rules: legalized hegemony, sovereign (in)equality, and the Al Bashir Case” na Revista Carta Internacional/ABRI

O artigo investiga a (des)igualdade soberana como um fenômeno que se manifesta nos diferentes níveis de instituições internacionais. A análise é desenvolvida a partir do estudo do processo contra Omar Al Bashir, presidente em exercício do Sudão, no Tribunal Penal Internacional. Nesse sentido, assegura-se a existência de uma seletividade nos julgamentos da justiça internacional penal caracterizada como, simultaneamente, manifestação e condição de possibilidade da hierarquia na arquitetura social, e portanto normativa institucional, e política do sistema internacional. Argumenta-se, assim, que a presença dessa (des)igualdade soberana pode ser identificada nos diferentes níveis das instituições da sociedade internacional, na medida em que elas influenciam umas às outras.

Ruling through the International Criminal Court’s rules: legalized hegemony, sovereign (in)equality, and the Al Bashir Case” – artigo publicado na Revista “Carta Internacional/ABRI” Vol. 14, 2019.

Anjo negro: As fundações racistas do Estado no Brasil

Em seu artigo “Anjo negro: As fundações racistas do Estado no Brasil”, publicado pela revista Latin American Research Review, a professora Marta Fernández e o doutorando Vinicius Santiago trazem uma reflexão sobre as fundações raciais do Estado Brasileiro através da análise da peça “Anjo negro”, de Nelson Rodrigues. Partindo de uma abordagem pós-colonial, baseada em Frantz Fanon, os autores argumentam que a peça vai contra a visão de “democracia racial” brasileira ao revelar as tensões e violências (re)produzidas pelo Estado e expressas no âmbito da família como lócus desse poder estatal.

“Anjo negro: As fundações racistas do Estado no Brasil”, artigo publicado na revista Latin American Research Review, v. 54, 2019.

A maternidade como resistência à violência de Estado

Em seu artigo “A maternidade como resistência à violência de Estado”, publicado pela revista Cadernos Pagu, o doutorando Vinícius Santiago analisa o movimento de mães que perderam seus filhos, assassinados por policiais militares nas favelas do Rio de Janeiro, e traz uma reflexão sobre seu enfrentamento à violência e o racismo estatal, mobilizando a maternidade como um símbolo central para o engajamento político.

“A maternidade como resistência à violência de Estado”, matéria publicada na revista Cadernos Pagu em 04 de abril de 2019.

Process Tracing como mecanismo de análise de trajetória: do 11 de setembro à guerra ao terror e o caminho para a guerra do Iraque

O atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 ao Estados Unidos foi um evento responsável por provocar transformações na política tanto externa quanto interna do país. Além das medidas tomadas para combater o terrorismo na chamada Guerra ao Terror, iniciada pelo governo de George W. Bush, o país adotava também políticas onde qualquer país que fosse visto como fornecendo apoio ou não combatendo grupos que fossem vistos como terroristas eram também classificados como inimigos. Este artigo tem como objetivo mostrar como essa política estadunidense resultante dos eventos de 2001 foi responsável por influenciar nas decisões que levaram a invasão do Iraque em 2003. Ao longo do texto foi analisado o período de 11 de setembro de 2001 e todas as decisões que acarretaram na invasão do Iraque. Com esse objetivo exposto, utilizou-se a metodologia de process tracing para observar o período de 2001 até 2003 e inferir acerca do questionamento sobre a influência do atentado na invasão.

Autores: Aline Gomes de Albuquerque, Alexandre Cesar Cunha Leite

Explaining emerging powers’ reluctance to adopt intervention norms: normative contestation and hierarchies of responsibility

Em seu artigo “Explaining emerging powers’ reluctance to adopt intervention norms: normative contestation and hierarchies of responsibility”, publicado pela Revista Brasileira de Política Internacional, os professores Kai Michael Kenkel (IRI/PUC-Rio) e Sandra Destradi (Helmut Schmidt Universitat) analisaram os fatores que contribuem para a relutância dos países emergentes em obedecer às novas normas a nível global, argumentando que esse comportamento não se baseia em uma rejeição ao conteúdo das normas, mas em uma contestação da implementação das normas e da forma hierárquica com que a responsabilidade é definida e atribuída.

“Explaining emerging powers’ reluctance to adopt intervention norms: normative contestation and hierarchies of responsibility”, matéria publicada na Revista Brasileira de Política Internacional em 21 de janeiro de 2019.

Developing Countries and UN Peacebuilding: Opportunities and Challenges

Em artigo publicado na E – International Relations, o professor Ricardo Oliveira fala sobre a forma com que os países em desenvolvimento estão reformulando e adaptando o atual modelo de peacebuilding ao abrirem espaço para uma perspectiva mais viável da construção de uma paz sustentável.

“Developing Countries and UN Peacebuilding: Opportunities and Challenges”, matéria publicada no E – International Relations em 25 de fevereiro de 2019.

In Spite of You: Bolsonaro and the New Brazilian Resistance

O livro ”In Spite of You: Bolsonaro and the New Brazilian Resistance”, foi introduzido pelo professor Conor Foley que, por sua vez, apresentou a dinâmica e os objetivos da obra. Segundo Foley, o livro foi escrito em resposta à vitória eleitoral de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil, procurando explicar como e por quê ele conquistou a presidência e quais as consequências desse resultado. Escrito a partir de uma perspectiva multidisciplinar, o livro reúne capítulos escritos por Dilma Rousseff, Fernando Haddad, além de autoras feministas, analistas de política externa e defensores dos direitos humanos. O principal objetivo da obra, segundo Foley, é dar uma explicação sobre a eleição geral de 2018, discutir as lições aprendidas e apontar caminhos a serem seguidos a partir da perspectiva do direito internacional, da teoria política, da sociologia, da economia, dos estudos feministas e pós coloniais e do movimento anti-racista. Nesse sentido, a introdução deixa claro que, mesmo o foco do livro estando no Brasil, os argumentos dos autores estão posicionados em um debate mais amplo sobre a crise global que contou com o surgimento do autoritarismo de direita como uma força política potente.

Em seu capítulo “Metaphors, myths and ‘imaginary Venezuela’: manufacturing antagonisms in the 2018 election”, do livro ”In Spite of You: Voices of the Brazilian resistance”, os professores Paulo Esteves e Monica Herz analisaram a forma com que a campanha eleitoral presidencial no Brasil  em 2018 incorporou uma “Venezuela Imaginária” e por que essa metáfora se tornou ferramenta retórica essencial durante o processo. Nesse sentido, o capítulo aponta para a ideia de que a promulgação da imagem negativa da Venezuela, criada e reforçada pelos movimentos conservador e o neoliberal, faz parte de um projeto mais amplo para reformular a identidade brasileira. A fim de alavancar algumas conclusões preliminares, os autores tentam, portanto, esboçar alguns efeitos de tais processos para o futuro próximo.

O livro contra com contribuições de Eugenio Aragão, Rubens Casara, Sérgio Costa, Vanessa Maria de Castro, Fabio de Sá e Silva, Michelle Morais de Sá e Silva, Paulo Esteves, Conor Foley, Gláucia Foley, Fernando Haddad, Monica Herz, Fiona Macaulay, Renata Motta, Dilma Rousseff e Márcia Tiburi.

Defense industrialization in Latin America

Em artigo publicado na Revista “Comparative Strategy: an International Journal”, a professora Monica Herz (IRI/PUC-Rio) e Patrice M. Franko (Colby College) analisam abordagens contrastantes para a modernização da defesa na região da América Latina, sugerindo que a cooperação regional neste campo seja uma possível resposta ao trilema de defesa entre autonomia, tecnologia e sustentabilidade econômica.

“Defense industrialization in Latin America” – artigo publicado na Revista “Comparative Strategy: an International Journal” Vol. 37, 2018.