A Professora do IRI/PUC-Rio Victoria Santos, em co-autoria com o Pesquisador Visitante da University of Wisconsin-Milwaukee Ned Littlefield, escreveu o artigo “Between soldiers and cops: the transnational boundary work of militarization in Mexico” para a Revista International Affairs.
No artigo, os autores investigam como democracias justificam o uso militar no policiamento doméstico, focando nas reconfigurações da fronteira entre polícia e forças armadas na América Latina. Eles demonstram como lógicas transnacionais de segurança influenciam essa militarização, analisando o caso do México e sua cooperação em segurança com os EUA entre 1983 e 2024.
O artigo faz parte da seção especial “Boundary work and the (un)making of global cooperation”, cujos editores convidados foram Maren Hofius e Matthias Kranke. Os artigos da seção investigam o papel de diferentes tipos e práticas de “trabalho de fronteira” na política global, e em particular seus efeitos sobre as possibilidades de cooperação. As pesquisas que conduziram a este artigo contaram com o apoio do CNPq e da FAPERJ.
A pesquisadora Amanda Álvares Ferreira, pós-doutoranda no IRI (FAPERJ), publicou o capítulo “The Body Politic”, no livro “Thinking World Politics Otherwise” (Oxford University Press). O capítulo analisa o conceito de corpo político através de uma perspectiva queer, demonstrando como as Relações Internacionais perpetuam uma retórica de uniformidade estatal que depende da alterização de corpos dissidentes em termos de gênero e raça. Examina-se especificamente o contexto brasileiro, onde o medo da ruptura do corpo político é mobilizado para justificar violências contra identidades não-normativas. Propondo uma introdução diversa aos estudos das Relações Internacionais, o livro “Thinking World Politics Otherwise” é um manual que tensiona as abordagens tradicionais: não se organiza em torno de escolas teóricas como realismo ou liberalismo, mas sim aborda conceitos-chave que as autoras utilizam para explorar a política mundial de maneira crítica.
Amanda Álvares Ferreira conduz pesquisas sobre teorias queer e cuir, bem como sobre as obras de Foucault e Bataille nas Relações Internacionais. Em seu pós-doutoramento, sob orientação da professora Marta Fernandez, pesquisa violência política e violência de Estado contra minorias de gênero e raça no Brasil.
Resumo: O esforço pelo desacoplamento estratégico com a China tem revalorizado a energia nuclear como elemento central na política energética e tecnológica dos EUA. No governo Trump 2.0, mesmo com a ênfase pública nos combustíveis fósseis, há uma convergência rara entre setor privado, Congresso e Casa Branca em torno da energia nuclear avançada, impulsionada por uma interpretação de necessidade de estabilidade energética frente ao avanço de tecnologias como IA e criptoativos.
Nesse cenário, a energia nuclear pode se consolidar como alternativa tecnicamente robusta, politicamente menos polarizada, e mais sensível à crise climática. No texto, Herman argumenta que os movimentos marcam o espraiamento das pressões e tensões da disputa hegemônica – que já domina as preocupações nos setores mais variados – para um novo domínio.
A Professora do IRI-PUC-Rio, Marta Fernández, publicou em co-autoria com a professora da UFRJ, Andréa Gill, o artigo intitulado “Disputing Authorship: Reinscriptions of Collective Modes of Knowledge Production” no volume especial “Gender Knowledges and Cultures of Equalities in Global Contexts” no periódico “Social Sciences”.
Nesse artigo, as autoras refletem sobre a produção coletiva de conhecimento em um mundo marcado por hierarquias raciais, de gênero e geopolíticas, abordando questões como autoria, poder e práticas dissidentes de produção de conhecimento a partir de experiências concretas nas periferias do Rio de Janeiro. A partir de duas residências artísticas desenvolvidas no âmbito do projeto GlobalGRACE Brasil — a da Cia Passinho Carioca e a da Escola Livre de Artes ELÃ — as autoras apostam em práticas feministas e decoloniais de pesquisa, ensino e aprendizado com potencial para criar infra estruturas político-epistêmicas que tornem possível imaginar outras formas de saber.
A dissertação Victória Motta Lamare França, defendida no IRI em 2023, sob orientação da professora Maíra Siman, e co-orientação do professor Roberto Yamato, recebeu o prêmio de Melhor Dissertação no 12º Concurso Nacional ABRI de Dissertações e Teses Universitárias em Relações Internacionais, “Prêmio Professor Marcos Costa Lima”.
A dissertação intitulada Mediating Protection? The UN Community Liaison Assistants and the Politics of Translation foi publicada em inglês em 2024 pela editora Palgrave, na coleção Global Polítical Sociology:
O trabalho premiado analisa como a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta estabilizar e justificar um significado ambivalente de proteção e seus papéis sociopolíticos na agenda de Proteção de Civis (PoC). A pesquisa toma os Assistentes de Ligação Comunitária (CLAs) como um prisma analítico para refletir sobre a instrumentalização da língua e da cultura nas operações de paz da ONU.
A partir de uma abordagem pós-estruturalista e pós-colonial, a pesquisa promove diálogos com os Estudos de Tradução e Interpretação ao explorar o caráter político da tradução para as Relações Internacionais ao mesmo tempo que se aprofunda em um ator geralmente negligenciado na doutrina da ONU e nos Estudos de Operações de Paz.
Como uma universidade se torna internacional? Neste capítulo, a Professora Adjunta e Diretora do IRI/PUC-Rio Isabel Rocha de Siqueira e o Doutorando do IRI/PUC-Rio Nycolas Candido discutem como a prática dos institutos e departamentos impactam o conceito de internacionalização do ensino superior e suas possíveis aplicações.
Com um foco no Sul Global, Candido e Siqueira analisam medidas implementadas no próprio IRI para conhecer a experiência internacional de seu corpo discente. Dentre as principais conclusões, o capítulo identifica que desigualdades históricas entre o Norte e o Sul Global são reforçadas e reinventadas por modos concretos de internacionalização, o que demanda uma conceitualização crítica e multidimensional do termo.
O capítulo faz parte da coletânea “Contemporary Approaches to Internationalization in Higher Education” que pode ser acessado no link abaixo:
Abstract
Departing from Euro- and Western-centric approaches, a more recent scholarship has explored the role of memory and trauma in the Global South in an effort to explore traumatic experiences and memory politics beyond the Holocaust. Looking into the case of Brazil, this chapter shows how colonial trauma has an impact on foreign policy. The chapter contends that Brazil suffers from a broad psychosocial condition that has come to be known as a “mongrel complex” that generates the desire for international validation of the country’s potential. As a result, Brazil’s long-held national aspirations to become a member of the United Nations Security Council, to lead peace operations, and to appoint the heads of key international organizations should be understood as a coping mechanism to transcend its mongrel complex. This is fueled by resentment and anxiety originating from Brazil’s socialization in a hierarchical international system that stigmatizes inferior, subaltern nations.
Erica Resende (ESG) and Paula Sandrin (IRI/PUC-Rio) | Chapter published in the book ”The Oxford Handbook of Emotions in International Relations, edited by Simon Koschut e Andrew A.G. Ross.
Background
Much has been said by actors from different fields and perspectives about the manifold changes in world affairs triggered by the COVID-19 pandemic. In this context, it is to be expected that there will be impacts on long-standing partnerships such as the one between the European Union and the Community of Latin American and Caribbean Countries. However, few studies have demonstrated these impacts, either empirically, by uncovering their specificities or from a historical perspective, to allow for a reasonable methodological comparison of the patterns used to define the partnership and that have changed or have been affected in some way by the pandemic.
Carolina Salgado | Globalization and Health volume 20, Article number: 60 (2024)
Ao assumir a presidência do G20, o governo brasileiro estabeleceu como prioridades de sua liderança no grupo o avanço em três agendas: redução da fome, desigualdade e pobreza; combate às mudanças climáticas e transições energéticas; e reforma da governança global. As três prioridades são relevantes para a política nacional tanto no que concerne a necessidade de transformações sociais no Brasil, quanto no sentido de que oferecem um mapa, por assim dizer, da renovada atuação do Brasil no cenário internacional. Nesse sentido, indicam a capacidade do país de recuperar sua liderança em algumas pautas, como a do combate à fome e à pobreza, e de através delas, oferecer ao mundo a cara de uma política externa novamente engajada com pautas multilaterais, progressistas e de garantia de direitos.
Na agenda de combate à fome, principalmente, o Brasil fazia história até alguns anos atrás, exportando modelos de política públicas, mas vivemos retrocessos recentemente, voltando para o Mapa da Fome, em 2022. No momento em que o Brasil volta ao centro do palco, usando o momentum gerado pela presidência do G20 para o pré-lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, é importante lembrar as boas práticas, mas também nos certificarmos de que a agenda seja sim politizada. Em 2024, estamos falando de 735 milhões de pessoas em situação de fome crônica no mundo. No Brasil, Josué de Castro já alertava para a natureza política da fome há quase 100 anos.
Nos artigos que se seguem neste dossiê, tratamos do histórico de combate à fome e à pobreza no Brasil; falamos da conjuntura dessas questões sociais em alguns países BRICS; olhamos para projetos de Cooperação Sul-Sul nessas agendas; e analisamos o caso trágico de fome agravado pelo conflito em Gaza, iniciado em 2023. O dossiê foi organizado pela Prof. Isabel Rocha de Siqueira, diretora do Instituto de Relações Internacional (IRI)/PUC-Rio. Colaboraram estudantes e egresso do Programa de Pós-Graduação Acadêmico; egressa de nosso mestrado profissional (MAPI); e estudantes da Graduação que participam da Iniciação Científica do IRI.
O livro “Sociologia Política Internacional & Pensamento Crítico nas Relações Internacionais”, organizado pelos professores João Pontes Nogueira e Roberto Vilchez Yamato, foi lançado e já está disponível para download. Esta coletânea é o primeiro volume, editado no Brasil, dedicado à apresentação da Sociologia Política Internacional como um dos campos de conhecimento da disciplina de Relações Internacionais (RI).
O livro vem suprir uma lacuna importante de textos em língua portuguesa sobre a contribuição da Sociologia Política Internacional para o pensamento crítico em RI.
Apesar deste vazio na produção acadêmica local, o campo esteve presente no Brasil, sob diferentes formas, desde o final da primeira década do milênio. Na verdade, este livro é resultado de uma série de iniciativas que vêm se desenvolvendo ao longo deste período, dentre as quais se destaca a realização da Escola de Inverno de Sociologia Política Internacional (International Political Sociology (IPS) Winter School, em inglês), que tem lugar anualmente na PUC-Rio desde 2015 e que representa, ainda hoje, a única instância acadêmica existente no país – e no exterior – exclusivamente dedicada à formação básica regular de estudantes de pós-graduação e jovens acadêmicos em sociologia política internacional. Da mesma forma, podemos verificar a presença e circulação internacional de acadêmicos e estudantes de pós-graduação brasileiros em eventos e publicações de Sociologia Política Internacional, pelo menos, desde a criação da revista IPS em 2006.