Políticas Externas Feministas em Perspectiva: Tendências e Debates

É com muito orgulho que a Diretoria da Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) apresenta o primeiro produto elaborado pelo Observatório de Política Externa Feminista Inclusiva (OPEFI), intitulado “Políticas Externas Feministas em Perspectiva: Tendências e Debates”.

O documento, alicerçado na robustez acadêmica das pesquisadoras que lideram o projeto – Bruna Soares de Aguiar, Paula Drumond e Tamya Rebelo, a quem agradecemos o trabalho e a disposição de se engajarem em tão ousada iniciativa, estabece as bases conceituais iniciais para que seja possível avançar no entendimento sobre “política externa feminista” e as possíveis contribuições do Brasil para essa agenda.

A elaboração desse primeiro documento contou também com o apoio do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI/PUC-Rio) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ). Essa parceria materializa uma das premissas da atuação da AMDB, que é buscar engajar múltiplos atores e instituições interessadas nos diversos projetos de promoção da paridade de gênero.

Contexto Internacional v. 46, n. 3

Já está disponível a edição mais recente da Contexto Internacional, volume 46, número 1. A nova edição tem acesso aberto, e pode ser lida e baixada na íntegra no link abaixo:


Contexto Internacional: Volume: 46, Número: 3, Publicado: 2024

Sumário

Research Article

  1. Agências de rating versus a “maré rosa”: lições das experiências do Brasil e da Argentina
    Machado, Pedro Lange
  2. Dinâmica e mecanismos de reprodução da ideologia do consumismo por empresas transnacionais de dados
    Moura, Stéfano Mariotto de
  3. América Primeiro: ajuda externa na administração do Trump
    Mateo, Luiza Rodrigues
  4. A política da inclusão nas negociações de paz
    Mendes, Isa Lima
  5. Entendendo o apoio dos países muçulmanos às ações da China em Xinjiang: uma análise qualitativa e comparativa
    Hendler, Bruno; Corrêa, Gabriela Tamiris Rosa; Martins, William Wuttke

Dossier

  1. Metaforizando a modernidade
    Onuf, Nicholas
  2. Intercâmbio sobre ‘Metaphoricizing Modernity’ de Nick Onuf, Parte I – Começos Perigosos, (Re)Começos Periféricos: Uma Reconfiguração do Construtivismo de Nick Onuf
    Lage, Victor Coutinho
  3. Intercâmbio sobre ‘Metaphoricizing Modernity’ de Nick Onuf, Parte II – Provincializando Metáforas, Lendo (com) Onuf da América Latina
    Viana, Manuela Trindade; Yamato, Roberto Vilchez
  4. Intercâmbio sobre ‘Metaphoricizing Modernity’ de Nick Onuf, Parte III – Reconfiguração da Modernidade e/ou como Metáfora(s)
    Marks, Michael; Onuf, Nicholas
Saiba mais sobre a Revista Contexto Internacional:

Contexto Internacional: journal of global connections é uma revista quadrimestral de Relações Internacionais revisada por pares e publicada em inglês. Baseada no Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, Brasil, seu objetivo é oferecer um fórum para pesquisas conceitualmente inovadoras nas Relações Internacionais, entendida em sentido amplo.

A Contexto está particularmente interessada em promover e incentivar o desenvolvimento das RI no/do/a partir do Sul Global. Trabalhos que contribuam para a compreensão da pluralidade de perspectivas presentes no campo de RI e avancem o debate sobre as conexões entre conhecimentos locais e assuntos globais são, portanto, preferíveis.

e-mail: cintjournal@puc-rio.br

Problematizing Managerial Militarization: Claims to Military Logistical Expertise in the COVID-19 Pandemic in Brazil

As professoras Maíra Siman e Victória Santos (IRI, PUC-Rio), junto a professora Manuela Trindade Viana (PUJ, Bogotá), publicaram o artigo “Problematizing Managerial Militarization: Claims to Military Logistical Expertise in the COVID-19 Pandemic in Brazil”. 

O trabalho faz parte de uma edição especial sobre militarismo e militarização, da revista Alternatives, e é resultado de uma pesquisa iniciada a partir do Núcleo de Estudos Democracia e Forças Armadas (NEDEFA): https://nedefa.ctch.puc-rio.br/

O artigo toma como ponto de partida a atuação das forças armadas brasileiras durante a pandemia da COVID-19 para investigar uma alegação específica usada contemporaneamente para justificar a mobilização dos militares em atividades relacionadas à saúde: suas credenciais em uma experiência gerencial em logística. Tal diagnóstico aponta para uma rearticulação no regime discursivo que legitima a expansão das funções das forças armadas – não necessariamente ancorado na eficiência do uso da violência, tal como comumente associado ao profissional militar, mas baseado em um conhecimento gerencial voltado para a obtenção e distribuição eficiente de recursos em todo o território nacional, especialmente em contextos de crise. Essa transformação discursiva, argumentam, é expressão de processos globais que conferem à “expertise gerencial” autoridade política e privilégio para a resolução de problemas sociais em situações críticas. Ao considerarem que tal dimensão gerencial é amplamente negligenciada nas críticas acadêmicas à militarização – tal como presente nos estudos tradicionais sobre as relações civis-militares – o artigo busca, em síntese, estimular a comunidade especializada a interrogar os limites de seu trabalho crítico, repensando os pressupostos sobre os quais a militarização pode ser problematizada no período contemporâneo.

A pesquisa que originou o artigo foi realizada com apoio da FAPERJ e do CNPq

Gender and Populism in International Studies

Recentemente, foi publicado o capítulo intitulado “Gender and Populism in International Studies”, co-autorado pelas professoras do IRI/PUC-Rio, Paula Drumond e Paula Sandrin, na Oxford Research Encyclopedia of International Studies. O capítulo oferece uma análise sobre a intersecção entre as questões de gênero e o avanço do populismo no cenário mundial, destacando as diversas abordagens adotadas sobre o tema pela literatura de Relações Internacionais. O texto pode ser acessado através do link:

Climate Change in Regional Perspective

A cooperação internacional para enfrentar os desafios ambientais e das mudanças climáticas tem sido estudada há várias décadas; este livro aborda estas questões de uma perspectiva menos conhecida: o regionalismo comparado. Na primeira seção do livro, os autores discutem a cooperação na União Europeia e nas organizações regionais na América Latina, assim como nas suas relações inter-regionais; na segunda seção, são abordados os temas do financiamento do desenvolvimento e uma economia ‘mais verde’; e na terceira, os autores avaliam criticamente as chamadas ‘novas soluções verdes’, ilustrando os desafios de atingir consensos sobre as prioridades, políticas e projetos no plano local. As conclusões consolidam as reflexões e recomendações sobre o (potencial) papel das regiões na cooperação internacional nos temas ambientais e das mudanças climáticas, particularmente importante dado que o livro resulta da colaboração no âmbito da Rede Jean Monnet ‘Crisis-Equity-Democracy for Europe and Latin America’, que visa fortalecer a Parceria Estratégica entre a UE e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC).

The Politics of (In)Visibility: Geopolitics and Subaltern Bodies

A pós-doutoranda Francine Rossone de Paula publicou o artigo The Politics of (In)Visibility: Geopolitics and Subaltern Bodies (Oxford Research Encyclopedia of International Studies) no qual apresenta debates relevantes sobre o papel do corpo e da visibilidade para o ativismo feminista na América Latina. A partir de sua agenda de pesquisa engajada com pensamento crítico sobre espaço, dialoga com narrativas sobre o lugar político da mulher latina e a disputa entre o feminino e o masculino na definição de geo-política.

Payasos Sin Fronteras: considerando as populações refugiadas

O doutorando do IRI/PUC-Rio, Luan do Nascimento Silva, publicou o artigo “Payasos Sin Fronteras: considerando as populações refugiadas”, no dossiê “Em fuga de conflitos armados” na Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana (REMHU). Segue o resumo do artigo:

RESUMO:

Os Payasos Sin Fronteras atuam em campos de refugiados e outros cenários marcados por conflitos e violências, recorrendo à palhaçaria e ao lúdico como estratégias para defender os direitos humanos e agir diretamente sobre situações de vulnerabilidade social. O presente texto almeja explorar o papel da arte na promoção de uma melhor qualidade de vida para pessoas nessas situações, a partir da atuação dos Payasos Sin Fronteras junto às populações refugiadas. Para tanto, realiza-se uma revisão bibliográfica de caráter exploratória e descritiva para auxiliar na compreensão do estudo de caso, articulando literaturas sobre refúgio e comicidade com a dimensão prática – cujas principais fontes são relatórios e publicações da organização. Verifica-se nesse debate que a função social do riso instrumentalizada pelos PSF contribui com a promoção da resiliência das populações refugiadas, fortalecendo uma perspectiva de “consideração” sobre a sua situação de vulnerabilidade, isto é, de observação atenta, aproximação e construção de possibilidades e alternativas de existência.

A versão inicial do texto intitulado “Payasos Sin Fronteras: considerando as populações refugiadas” foi desenvolvida no âmbito do curso interdisciplinar e interdepartamental sobre “Populações Refugiadas” (2021.1), promovido pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM/PUC-Rio).

Digital tools as experts in international peace and security

A edição de setembro da revista International Affairs, na seção especial sobre o conhecimento na produção da paz, contou com a participação de Luisa Lobato, professora do IRI/PUC-Rio e coordenadora acadêmica do Laboratório de Humanidades Digitais PUC-Rio e Victoria Santos, Professora do IRI/PUC-Rio e coordenadora adjunta da graduação.

O artigo conjunto, intitulado “Digital tools as experts in international peace and security”, busca abordar os objetos digitais como bases de dados, big data, e algoritmos nas práticas de paz e segurança no contexto global. De forma a ampliar o debate sobre os efeitos da tecnologia, as professoras usam como objeto de estudo o aplicativo UN Sanctions e a base de dados do Security Assistance Monitor.

Geopolitics of Knowledge and Epistemic Violence in Global Health

Em seu artigo “Geopolitics of Knowledge and Epistemic Violence in Global Health”, publicado no The Collective Blog da Universidade de Oslo, um espaço para pesquisadores em Saúde Global de diversas partes do mundo realizarem comunicação científica sobre aspectos críticos e pertinentes aos respectivos lugares de onde falam, a professora e pesquisadora Carolina Salgado, discute as hierarquias de poder que historicamente operam na saúde global. A docente nos convida a participar, com outros cientistas sociais latino-americanos, na prática da desobediência epistémica ao eurocentrismo e ao etnocentrismo através de uma gramática descolonial.

Novo artigo: “Coloniality and the State: Race, Nation and Dependency”, de Walter Mignolo e Fábio Santino Bussmann

O pós-doutorando do IRI/PUC-Rio, Fábio Santino Bussmann, publicou o artigo “Coloniality and the State: Race, Nation and Dependency”, em parceria com Walter Mignolo, no periódico Theory, Culture & Society. Segue o resumo do artigo:

It is of concern that, until now, Western and Southern theories have not been able to provide a full conceptual understanding of the complicity of the elites and states of former colonies outside the West with the political domination they suffer from their Western counterparts. Decolonial thought, by exploring global epistemic designs, can fully explain such political dependency, which, for Aníbal Quijano, results from the local elites’ goal to racially identify with their Western peers (self-humanization), obstructing local nationalization. We explore why the racially dehumanized local elites believe they can humanize themselves. Our claim is that this happens because of modernity’s pretense that everyone can become civilized and, thereby, human, hiding the fact that hu(man)s are only heterosexual men that are simultaneously Western, white and Christian. Only by focusing on the enunciation of Western knowledge, instead of on its enunciated content, can we make that argument.