Subjetividade e reconhecimento do refúgio no Brasil

‘Subjetividade e reconhecimento do refúgio no Brasil’ é o capítulo publicado por Flávia Rodrigues de Castro, pós-doutoranda do IRI, em co-autoria com a prof. Denise Salles, no livro “Direitos Humanos e Vulnerabilidade e o Direito Internacional dos Refugiados”. O capítulo parte da discussão de que, apesar do imaginário racional-objetivo que permeia os discursos sobre a elegibilidade, as práticas de determinação da condição refugiada no Brasil também são atravessadas por um forte componente subjetivo.

A obra completa, organizada pelos professores Liliana Lyra Jubilut e João Carlos Jarochinski Silva, está disponível no site da Editora da Universidade Federal de Roraima.

Devouring Brazilian Modernism: The Rise of Contemporary Indigenous Art

O objetivo deste artigo não é celebrar 1922, mas revisitá-lo criticamente em duas frentes. Primeiro, busco problematizar a incorporação do primitivismo pelo modernismo brasileiro. Argumento que, além da importante discussão sobre a apropriação cultural de elementos das populações indígenas, foi a impossibilidade de autorrepresentação indígena por questões elitistas, raciais e coloniais que moldaram a vanguarda brasileira na década de 1920. Em seguida, demonstro como a arte indígena contemporânea está devorando, digerindo e regurgitando novas formas de arte crítica no Brasil. Publicado em fevereiro de 2022 na E-International Relations.

Cartilha “Masculinidades, Arte e Potências Periféricas”

Qual a importância de se discutir o conceito de masculinidades?

Ao longo das últimas décadas, as relações de gênero têm sido debatidas e desconstruídas, como resultado de várias contribuições feministas. O tema das masculinidades tornou-se um ponto crucial de análise e reflexão: a (re)produção de normas e padrões de gênero desiguais são, no entanto, relacionais. Nesse sentido, é muito importante falar sobre masculinidades para os próprios estudos feministas e de gênero. Afinal, como pensar em “mulheres” sem pensar sobre os “homens”, uma vez que essas identidades são relacionais e estão imbricadas? 

É com esse objetivo que produzimos a cartilha “Masculinidades, Arte e Potências Periféricas”. O presente documento busca ampliar o campo de reflexão sobre o tema a partir de discussões que tratam do próprio conceito de masculinidade, aprofundando o entendimento sobre marcadores de diferença, a exemplo do que significa “ser homem”, dos processos de produção das sexualidades através de normas e padrões socialmente impostos e o papel da arte na construção de outras masculinidades. Ao longo da cartilha são apresentadas as diversas iniciativas artísticas que, junto à equipe do projeto GlobalGRACE Brasil, buscam criar novos referenciais para pensar os temas de gênero, masculinidades e sexualidade. Pensar o “Eu-Corpo”, e a sua íntima relação com os territórios, principalmente com o território periférico, sugere caminhos possíveis para uma vida mais equitativa e saudável em sociedade para todas as pessoas.

Neste documento constam registros dos trabalhos de artistas que integraram as ações brasileiras do GlobalGRACE: Residência Masculinidades NoBela, Residência Passinho Carioca e ELÃ – Construindo Masculinidades Outras.

A cartilha está disponível para download gratuito nos idiomas português, espanhol e inglês

O GlobalGRACE é um projeto financiado pelo Global Challenge Research Fund (GCRF/RCUK) pelo que mobiliza intervenções artísticas para pesquisar e possibilitar abordagens de gênero que contribuam para o bem-estar internacionalmente e que inclui universidades e ONGs de Bangladesh, Brasil, México, Filipinas, África do Sul e Reino Unido. No Brasil, vem sendo desenvolvido pelo Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e as ONGs Promundo, UNIperiferias e Observatório de Favelas e conta com a parceria do CES/Universidade de Coimbra. Saiba mais sobre o GlobalGRACE.

Contexto Internacional v. 43, n. 3

É com satisfação que os editores da Contexto Internacional anunciam a publicação de nossa mais nova edição (v. 43, n. 3).

A nova edição pode ser acessada e baixada na íntegra.

Contexto Internacional Office cintjournal@puc-rio.br

Contexto Internacional, Volume: 43, Número: 3, Publicado: 2021

  • Research Articles

Poder Soberano, Governo e a Crise do Liberalismo Global
Cuadro, Mariela

“Atenção ao Hiato”: Avaliando Diferenças nas Abordagens Metodológicas entre as Revistas Brasileiras e as Principais Publicações de RI 
Carvalho, Thales; Gabriel, João Paulo Nicolini; Lopes, Dawisson Belém

Explicando as Mudanças na Política Externa Brasileira para a América do Sul sob a Administração de Michel Temer (2016-2018): O Retorno à Lógica do Regionalismo Aberto 
Santos, Leandro Wolpert dos; Leão, André Pimentel Ferreira; Rosa, Jonathan Raphael Vieira da

Do Ativismo Municipalista às Mudanças Institucionais: Uma Análise da Dimensão Subnacional no Mercosul (1995-2019)
Junqueira, Cairo Gabriel Borges

Investimentos chineses no Brasil: Diplomacia Econômica nas relações bilaterais
Busilli, Virginia Soledad; Jaime, María Belén

O Crescimento Militar no Sudeste Asiático e no Mar do Sul da China: Quão Relevantes São os Conflitos com a China?
Hendler, Bruno; Motta, André Luiz Cançado

  • Book Review

Badges Without Borders: How Global Counterinsurgency Transformed American Policing
Finazzi, João Fernando

Mobilizing Gender for Conflict Prevention: Women’s Situation Rooms

A professora Paula Drumond, Elisabeth Prügl, e Maria Consolata Spano acabam de publicar o artigo “Mobilizing Gender for Conflict Prevention: Women’s Situation Rooms” na última edição do Journal of Intervention and Statebuilding.

No artigo, as autoras discutem as “Women’s Situation Rooms” (WSRs), criadas por organizações de mulheres na África Ocidental como um mecanismo destinado a prevenir e responder a episódios de violência e instabilidade. Baseado em experiências do Senegal, Gana e Nigéria, o artigo explora como as estratégias desenvolvidas e implantadas pelas WSRs usam o gênero como uma força produtiva para combater a violência.


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Practices to Build Peace in Times of Crisis: Experiences from Northeast Brazil

O doutorando Luan do Nascimento Silva, Paulo Kuhlmann, e Edith Souza acabam de publicar o capítulo “Practices to Build Peace in Times of Crisis: Experiences from Northeast Brazil” no livro “Peace and Violence in Brazil: Reflections on the Roles of State, Organized Crime and Civil Society” editado por Marcos Alan Ferreira.

Com base na necessidade de construção da emancipação e identidade comum, o capítulo procura avaliar o desenvolvimento de quatro estratégias: alfabetização e alfabetização inicial com pensamento crítico e autônomo; círculos pacificadores (ensinando a dialogar sem violência, criando laços entre indivíduos); o uso de ludicidade e artes para construir a paz; e através do empoderamento conjunto (jardins comunitários, projetos universitários/comunitários). Todos eles procuram pensar de forma estratégica e conjunta nos impactos, nos prazos e na abrangência dos órgãos públicos em ação. A estrutura teórica está na prática do diálogo e da não-imposição, na construção conjunta entre a comunidade e os construtores da paz, com base nos trabalhos de Paulo Freire, John Paul Lederach e Augusto Boal.

O volume também conta com os capítulos “Gun Policy, Violence, and Peace: Examining the Challenges Faced by Civil Society and the State in Brazil“, publicado pelo professor Kai M. Kenkel e André Duffles T. Aranega, e “Contemporary Patterns of Violence and the Inside/Outside Problématique: The Case of Brazil“, publicado pelo professor Kai M. Kenkel e Veronica F. Azzi.


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Gun Policy, Violence, and Peace: Examining the Challenges Faced by Civil Society and the State in Brazil

O professor Kai Michael Kenkel e o mestrando André Duffles T. Aranega acabam de publicar o capítulo “Gun Policy, Violence, and Peace: Examining the Challenges Faced by Civil Society and the State in Brazil” no livro “Peace and Violence in Brazil: Reflections on the Roles of State, Organized Crime and Civil Society” editado por Marcos Alan Ferreira.

Como a sociedade civil e o Estado podem promover a paz através da política de armas? Kenkel e Duffles apresentam uma visão geral da violência armada no Brasil utilizando uma abordagem epidemiológica, ilustrando como este fenômeno está distribuído desigualmente entre diferentes grupos sociais e destacando o papel das armas de fogo na dinâmica da violência. Discutem também o crescente papel das evidências científicas como base para a formulação de políticas em nível nacional e internacional com referência às armas de fogo, além de desenvolverem uma análise crítica das principais resistências da sociedade civil brasileira e do Estado em relação a esta política: interesses a favor dos armamentos, desregulamentação e corrupção.

O prof. Kai Michael Kenkel publicou também, no mesmo volume, o capítulo Contemporary Patterns of Violence and the Inside/Outside Problématique: The Case of Brazil” com a doutora egressa Veronica F. Azzi.


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Contemporary Patterns of Violence and the Inside/Outside Problématique: The Case of Brazil

O professor Kai Michael Kenkel, com a doutora egressa Veronica F. Azzi, acaba de publicar o capítulo “Contemporary Patterns of Violence and the Inside/Outside Problématique: The Case of Brazil” no livro “Peace and Violence in Brazil: Reflections on the Roles of State, Organized Crime and Civil Society” editado por Marcos Alan Ferreira.

O trabalho destaca as especificidades da experiência do Brasil com a violência internas e pacificação que são diretamente relacionadas à experiência como Estado do Sul Global e da América Latina.  Focando no papel das forças armadas na sociedade, o artigo analisa os processos de internalização dos paradigmas ocidentais de violência – identificados em processos de pacificação e militarização – e a exportação simultânea das experiências domésticas brasileiras com a política militar e de desenvolvimento no âmbito das operações de manutenção da paz das Nações Unidas.

O prof. Kai Michael Kenkel publicou também, no mesmo volume, o capítulo Gun Policy, Violence, and Peace: Examining the Challenges Faced by Civil Society and the State in Brazil” com o mestrando André Duffles Teixeira Aranega.


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O Legado de Robert Cox para a EPI Crítica: 40 anos de “Forças Sociais, Estados e Ordens Mundiais”

A professora Ana Garcia, em parceria com Leonardo Campos (PUC-Minas), organizou dossiê da revista Oikos em homenagem aos 40 anos do artigo “Social Forces, States and World Orders: Beyond International Relations Theory”, trabalho seminal de Robert W. Cox. O dossiê traz a tradução inédita do artigo para o português além de trabalhos de pesquisadores brasileiros e latino-americanos na área de economia política internacional com discussões baseadas na obra de Cox. Na edição, Ana Garcia e Rodrigo Curty contribuem com o artigo A teoria crítica de Robert W. Cox como método para uma análise das relações entre China e América Latina, que propõe uma análise sobre os investimentos da China na América Latina através do método da estrutura histórica de Cox.

Neste artigo, Garcia e Curty apresentam as principais contribuições de Cox através das categorias de estrutura histórica (capacidades materiais, ideias e instituições), forças sociais e hegemonia. Para os autores, o método coxiano da estrutura histórica e sua análise sobre as diferentes forças sociais que incidem sobre a realidade social e internacional fornecem um instrumental importante para analisar as transformações em curso na ordem mundial. Esse instrumental nos convida a enxergar além dos Estados nacionais e instituições, trazendo o olhar para as forças sociais em disputa. Partindo das formulações de Cox, o artigo apresenta uma interpretação das relações entre China e América Latina e Caribe, mostrando que, apesar de romper com a onipresença das potências tradicionais e gerar expectativas de relações mais horizontais, a inserção de multinacionais chinesas na região também é fonte de conflitos. Estes vêm sendo de natureza socioambiental, levando ao questionamento sobre o próprio modelo de desenvolvimento adotado por países latino-americanos, baseado nas indústrias extrativas e infraestruturas a elas vinculadas.


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Gender Entrepreneurs in the Adoption of the Brazilian National Action Plan on Women, Peace and Security

Em artigo publicado na revista Global Governance, a professora Paula Drumond e Tamya Rebelo discutem o Plano Nacional de Ação sobre Mulheres, Paz, e Segurança, adotado em 8 de maio de 2017.

Com esta decisão, o Brasil respondeu, após quase duas décadas, ao apelo do Conselho de Segurança da ONU para que todos os Estados Membros desenvolvessem estratégias nacionais que permitissem a implementação bem sucedida da Resolução 1325 (2000) do Conselho de Segurança. O artigo se baseia no conceito de “empreendedoras de gênero” para argumentar que o surgimento do PNA brasileiro foi o resultado de uma rede informal de mulheres com ideias semelhantes, posicionadas dentro e fora das estruturas do governo, que se uniram para aproveitar as oportunidades políticas de mudança e pressionar para a adoção das normas globais da agenda MPS em um compromisso nacional formal.


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